Conheça a seleção oficial do 5º Festival ECRÃ

Atualizado: Jul 2

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Quinta edição do festival traz em formato online e acesso gratuito mais de cem obras de cinco continentes.


Ainda longe de sua tradicional casa, a Cinemateca do MAM, o anual panorama de experimentações audiovisuais das mais variadas abordagens acontecerá novamente no formato online devido a pandemia de Covid-19. O Festival ECRÃ aproveita o sucesso da quarta edição que registrou cerca de 30 mil visitantes únicos e 80 mil streamings e traz novidades para a quinta edição.


Entre elas está a presença de games na programação. Serão cinco jogos disponíveis para o público aproveitar entre uma sessão e outra. Quatro destes jogos são produções brasileiras produzidas entre 2020 e 2021. Durante o evento haverá uma mesa de debate sobre a conservação de game em parceria com a Cinemateca do MAM com a presença de Rafael Zamorano, Thays Pantuza, Rian Rezende com mediação de Ines Aisengart Menezes. Outra novidade é o programa "Novas Películas Espanholas", dedicado aos realizadores Elena Duque, Jorge Suárez-Quiñones Rivas e Valentina Alvarado Matos que produzem filmes em 16mm e Super 8 com curadoria de Gabriel Linhares Falcão.


O veterano diretor americano Ken Jacobs ganha janela especial com dois longas-metragens, incluindo o filme de abertura do evento, o ainda inédito no Brasil “O Céu Socialista” e sua continuação, “O Céu Socialista: Arredores e Outtakes”, realizado em 2019. Ken e Flo Jacobs conversarão com a realizadora Paula Gaitán sobre seus trabalhos no dia 17 de julho às 19h.


Longas, médias e curtas-metragens

Filmes exibidos em grandes festivais também estarão no ECRÃ. É o caso de “Canções Engarrafadas 1-4” de Chloé Galibert-Laîné e Kevin B. Lee, selecionado para o festival de Rotterdam. “Venha Aqui” da tailandesa Anocha Suwichakornpong e “Ste. Anne” de Rhayne Vermette selecionados para o festival de Berlim. “Um Gato Sonha com o Norte” de Diogo Oliveira, selecionado para o FID Marseille; “Liminal” de Phillipe Grandrieux, Lav Diaz, Manuela de La Borde e Óscar Henriquez; e “Icemeltland Park” de Liliana Colombo, selecionado para o festival de Locarno estão na programação.


Mestres do cinema experimental como o austríaco Michael Pilz, os norte-americanos James Benning e Khalik Allah e o argentino Raúl Perrone também estão na lista de longas-metragens do ECRÃ com “Com Amor”, selecionado para Rotterdam, “De Bakersfield Para Mojave” em estreia mundial, “Eu Ando Sobre a Água”, selecionado para o CPH: DOX e “S4D3” em estreia mundial, respectivamente. O videoartista israelense Guli Silberstein com “Imagem da Percepção” junto com Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval, diretores de “Saxifraga, quatro noites brancas”, selecionado para o Cinéma du Réel, completam a lista.

Entre os longas e médias-metragens nacionais, seis são estreias mundiais. “Desaprender a Dormir” de Gustavo Vinagre, “Você nos queima” de Caetano Gotardo, “Centro” de Peter Azen, “A Última Imagem” de Benedito Ferreira, “Natalis” de Raquel Monteiro e “Sombra” de João Pedro Faro. A lista inclui também “Benjamin Zambraia e o Autopanóptico” de Felipe Cataldo, selecionado para o festival de Brasília e o média “Apyãwa (Tapirapé) Iraxao Rarywa”, projeto coletivo de Paula Grazielle Viana dos Reis, Luis Oliveira, Koria Tapirapé e Vandimar Marques Damas. O ECRÃ abre as portas para novos realizadores estrangeiros em longas como é o caso da realizadora trans Frances Arpaia com “52 Filmes Curtos” e a mexicana Mariana Dianela Torres com “Mudando de Sonhos”.


Na seleção de curtas-metragens, experimentos e texturas voltam aos holofotes, em filmes selecionados para grandes festivais, de realizadores consagrados e novatos que marcam esta edição. O ECRÃ promove a sessão “Dois pássaros por Kevin Jerome Everson”, realizador americano com os curtas “Condor” e “Abutre Negro”, cuja estreia mundial será nesta quinta edição. Da seleção de Rotterdam estão “80.000 Anos” de Christelle Lhereux e “A Menina do Capim-Limão” da tailandesa Pom Bumservicha e o vencedor do Tiger Short de 2020, “Um Sol do Cão”, de Dorian Jespers. Alex Cox, diretor dos cults “Repo Man – A Onda Punk” e “Sid & Nancy” volta ao radar com o singelo “Restos e memórias de Filmagem”, sobre seu processo de filmagem caseiro; a cineasta lituana Migle Krizinauskaute também parte do retrato de intimidade em “As Guardiãs da Memória”. O canadense Rob Feulner traz seu “TV a Cabo” e o realizador japonês Takashi Makino também marca presença trazendo “Fase Dupla”, um de seus novos experimentos de contato com o etéreo desconhecido da matéria.


No outro lado do desconhecido, o festival também traz os pesadelos abstratos filmados, em “Mestres da Terra”, de Jan Locus, e “Azul Profundo”, de Sebastian Wiedemann. Na investigação tecnológica à distância dos filmes de viagem, as cineastas Bárbara Bergamaschi e Victoria Marechal trazem duas visões intimistas em “A Casa é a Viagem” e “Fronteiras II”. O obcecado estudo por repetições e padrões na natureza aparece em “Mil e uma tentativas de se tornar um oceano”, de Wang Yuhan e em “Senhor Jean-Claude”, de Guillaume Vallée, que esgarça um golpe de Van Damme para investigar o que o eterniza - como em “Amostra de Corpos”, de Astrid de la Chapelle, sobre essas formas extracorpóreas dos ídolos. A ficção-científica especulativa também aparece com “O Fim do Sofrimento”, da grega Jacqueline Lentzou, que procura em Marte soluções para a Terra.


Também integram a seleção cineastas conhecidos das edições anteriores; Fábio Andrade volta com “Construção de uma Vista”, Charlotte Clermont retorna aos objetos em super 8 com “Lucina Annulata", Joshua Troxler expande o pavor filmado do cotidiano na cidade em “Arsonista”, Vinicius Romero traz suas texturas digitais agora em um curta, “Bai gosti/eros afogado em lágrimas”, e Leonardo Pirondi anima um sonho contado por James Benning em “O Sonho de Benning”.

Entre os brasileiros, a percepção abstrata das ausências de representação racial vem em “Ser Feliz no Vão”, de Lucas Rossi, e “Descompostura”, de Alinne Torres. O arquivo aparece como ferramenta de investigação política também em “Vai!”, de Bruno Christofoletti. O fantasma da cidade ocupada por opressores corre pelas cenas de “A Memória Sitiada da Noite”, de Ewerton Belico, o cyberpunk “Usina-Desejo contra a Indústria do Medo”, do coletivo Anarca Filmes, e a ficção-científica volta a marcar presença em “Febre 40°” uma celebração ballardiana do sexo e da máquina dirigida por Natália Reis, e “Abissal”, a imersão de Luisa Marques e Darks Miranda em um futuro não requisitado.


Performances

A seleção de performances esse ano conta com artistas cuja inventividade se propõe a borrar ainda mais as fronteiras entre conceitos de “presença” e “proximidade”. Os oito trabalhos selecionados para esta edição modificam ideias de experiência e preenchem espaços antes considerados inférteis para modelos performáticos. Obras como “Transformando Tela em Tela”, de Crystal Duarte, e “Desenhos De Deriva Para Escritas Visuais”, de Gabriel Machado, utilizam-se do espaço virtual para experimentar um ponto de encontro entre as artes visuais e a performance. Neles, não há diferença entre a tela do dispositivo e a de pano. Outros trabalhos como “A Vantagem de Ver e Não Ser Visto”, de Lee Campbell, e “Pode Ser Que o Ventilador Não Seja Trocado, Você Só Não Sabe o Futuro”, de Dina Kelberman, convertem plataformas como o Zoom e o Teams em palcos onde a cortina nunca cai. Artifícios antes usados para o prosseguimento da escravidão neoliberal de produtividade se tornam espaços de potência criadora na mão de nossos artistas. Infinitas são as possibilidades. As performances desta edição provam que a exploração do corpo, do espaço e da tela não cessa com a distância física e provam que a pandemia é mais um ambiente desafiador do que um cenário de infertilidade.


Artes interativas

O 5° Festival ECRÃ desliza definições entre as suas diversas categorias. Os filmes e performances são acompanhados de remixes, vídeos em 360° e outras obras participativas que compõem a categoria de instalações e artes interativas. Uma seleção de nove trabalhos que exploram a imagem em movimento e sua relação de dependência com o público. “Cine Metrô” (Eduardo Calvet Correa), “Convergência MKL” (Joergen Geerds & Uli Futschik e participação dos músicos Marlene Rosenberg, Lewis Nash e Kenny Barron) e “Morangos com Creme” (Isabella Lazzari Rebellato) existem, cada um à sua maneira, no ambiente virtual de 360, seja com espaços contemplativos, criação de composições ou outra realidade. O duplo filme de Jefferson Cabral “Nem Natal, Nem Parnamirim” pode nos transportar para uma exposição, assim como “As Quatro Histórias de Alice” da artista Myriam Jacob-Allard, por terem ambos mais de um arquivo de vídeo. Uma nova cara no ECRÃ é a holandesa Maria Korporal, que traduziu para o Português especialmente para o festival a versão online e interativa de “Tree Travelling”.


Games

Os games expandem a edição do festival esse ano, abrindo um novo espaço para a exploração narrativa no festival. Obras como “Bagata” de Heron P. Nogueira, que estuda o caminhar através de um território sem limites. “A Cartomante” de Victor Corrêa investiga o potencial do simbolismo das imagens, ao levar o público a interagir e acompanhar as previsões sobre estranhos personagens. Em “Coisas que Perdemos no Fogo”, Thays Pantuza & Zumbido Audiovisual, mexem com o tempo e o espaço, ao cruzarem as fronteiras entre a memória, o imaginário e o patrimônio do audiovisual. Em “O Observatório” de Laura Iancu, as lembranças e aquilo que invade o pensamento são a base para uma experiência narrativa da nossa relação com as coisas que nos cercam. Por fim, "Space Dog” de Pablo Pablo, mescla música e arte visual para criar um ambiente livre e aberto para exploração de sentidos numa viagem sem fim.


Videoartes

O evento traz mais de trinta videoartes para o ambiente online, categoria na qual o festival ainda não teve a possibilidade de explorar em um ambiente físico. Vídeos de quarentena como os nacionais “Além Cá", de Vitória Severo e “Cool for the summer”, de Vitória Liz, que trabalham diferentes approaches às imagens do dia a dia ficam lado a lado aos elétricos “Eh 01 Qualquer Coisa”, de Alanis Machado e “Quem é Você?”, de Greg Penn. De volta ao ECRÃ, Hüseyin Mert Erverdi, Emma Penaz Eisner e Paulo Accioly exploram a imagem estática que ganha movimento nos curtas “Batalha”, “Covis” e “Erêkauã”, respectivamente. Outros destaques são as aplicações de maquiagem de longa duração em “Por trás das Câmeras” de Juniper Foam; a vídeo-performance muda de Maya Skye Henderson, “Chorar”; os assets de jogos eletrônicos usados por Tina Willgren em sua obra “Divagações”; a ressignificação de imagens criadas por Suzannah Mirghani em “Haverá Dragões”, uma produção Sudão/Qatar; e “Tremendo Creme“ que traz de volta à tona a criação feita em conjunto com a inteligência artificial, de Alexei Dmitriev, que retorna depois de sua participação na segunda edição do evento.


Atividades paralelas

O ECRÃ promoverá debates durante todo o evento com realizadores através de suas redes, além de uma mesa de debate sobre a edição para o cinema experimental promovida pela EDT. Para a programação completa acesse o site: www.festivalecra.com.br


Apoiadores e campanha

O Festival ECRÃ não possui patrocinadores e seu acesso é gratuito. O evento é produzido pela 5D Magic e Assuna Produções de maneira independente e sem recursos. O ECRÃ tem apoio institucional da Cinemateca do MAM-RJ, ECÚ Film Festival, JL Ribas e pelo departamento de Artes & Design da PUC-Rio. Para custear o festival, o ECRÃ criou uma campanha no site Benfeitoria que o público poderá ajudar o evento com valores e ganhar recompensas estipuladas pelo evento. https://www.festivalecra.com/contribua