
Consciência Do Banheiro
廁意識
Che-Kuang Chuang
Taiwan
2025
Instalação e Arte Interativa
Curta-Metragem
"Toilet Consciousness" é uma obra de arte imersiva em realidade virtual baseada em pesquisa arquitetônica. Com base no trabalho de campo do artista em banheiros públicos em escolas e espaços comerciais em Taiwan, o projeto reimagina o banheiro como um local de necessidade corporal, política de identidade e imersão digital.
A experiência começa em um palco espacialmente simétrico dividido por gênero. Um espelho central dissolve sutilmente os papéis fixos, permitindo que o reflexo do espectador habite ambos os lados. Quando a descarga é acionada, o espectador é metaforicamente atraído para uma série de espaços surreais de banheiro — cada um representando identidades marginalizadas: idosos, transgêneros, pessoas com deficiência, até mesmo animais e avatares. Dentro de cada um, o espectador momentaneamente "se torna" aquele sujeito, encontrando o espaço de uma nova maneira.
A jornada encena uma mudança constante de identidade — de masculino para feminino, de capaz para deficiente, de físico para digital — espelhando a noção de heterotopia de Foucault e a teoria da performatividade de Judith Butler. Esses banheiros não servem apenas à função; eles disciplinam, refletem e expõem o como sugere Wendy Chun, até mesmo nossos espaços mais banais se tornaram programáveis, saturados de visão mediada e atrito ideológico.
Em última análise, o espectador retorna ao palco transformado — não mais fixo, mas difuso. A obra não oferece um desfecho, apenas uma pergunta suspensa no silêncio:
"Neste espaço de reflexão e libertação, em quem nos transformamos?"
informações gerais
edição
10° Festival ECRÃ
data e
hora
MAM
Corredores da Cinemateca do MAM
16h-20h
duração em min
4
estreia
Première Brasileira
classificação
indicativa
L / Free for all audiences / Livre Para Todos Os Públicos
tags
arte, imersivo, político
trailer
Che-Kuang Chuang
Che-Kuang Chuang é um arquiteto, artista multimídia e pesquisador cujo trabalho investiga a interseção entre espacialidade física, ideologia digital e a performatividade da identidade. Atualmente atuando como
Professor Assistente de Design de Interação na Universidade Nacional de Tecnologia de Taipei (NTUT),
Chuang utiliza sua formação em arquitetura — aprimorada na Universidade de Artes Aplicadas de Viena (Die Angewandte) — para desconstruir as "heterotopias" de nossa existência diária através da lente da tecnologia imersiva.
Sua prática transcende as fronteiras arquitetônicas tradicionais,
enxergando o reino digital não apenas como uma ferramenta de simulação, mas como um espaço crítico de atrito sociopolítico. A pesquisa recente de Chuang se concentra em como espaços institucionais — como banheiros públicos — atuam como aparatos silenciosos de disciplina social. Ao traduzir esses ambientes mundanos em experiências de realidade virtual não lineares, impulsionadas por computação gráfica, ele explora a "fluidez do eu" em uma era onde a
fronteira entre o corpo físico e o avatar digital se tornou cada vez mais porosa. Influenciado pela filosofia espacial de Foucault e pelas teorias de Judith Butler sobre performatividade de gênero, o trabalho de Chuang frequentemente apresenta estruturas simétricas, semelhantes a espelhos, que desafiam a percepção do espectador sobre "o outro". Suas criações são caracterizadas por uma
estética fria e clínica que, paradoxalmente, evoca respostas viscerais profundas, forçando um confronto com as identidades marginalizadas, muitas vezes apagadas pelo design arquitetônico padronizado. Como arquiteto licenciado e criador de novas mídias premiado, a abordagem interdisciplinar de Chuang busca resgatar a agência humana em
ambientes programados. Suas obras servem tanto como um arquivo espacial quanto como um manifesto digital, convidando o público a habitar as fissuras da ideologia e questionar as estruturas predefinidas de nossa realidade vivida.


